domingo, 1 de Fevereiro de 2009

estudando estudando


depois que o concurso passar, eu vou voltar pra cá!

quinta-feira, 9 de Outubro de 2008


Esse texto foi escrito em 1994 e, resolvi compartilha-lo aqui porque ele revela um encontro meu com um escritor por quem me aficionei! Revela um gosto. Gosto de Nelson Rodrigues, compartilho da sua visão e, especialmente, aprecio sua intimidade com o leitor. Ler Nelson é como conversar com alguém próximo. Ele escreve como eu gostaria de escrever: aparentemente sem dor!

Sei que existe uma crítica feroz em torno de suas orientações políticas, mas o que me importa nele é sua maneira de narrar e de envolver o leitor nas suas tramas!



Nelson Rodrigues e o buraco da fechadura


Nelson Rodrigues via o mundo pelo "Buraco da Fechadura" (Castro,1992). Sua obra transforma "o normal", "o cotidiano", em aparentes absurdos. Traz à tona a intimidade negada e escondida de uma geração, de um povo, que era a sua própria intimidade "monstruosa", a intimidade do homem. O cotidiano trágico e apaixonado da obra de Nelson, não se encontrava nas ruas, não era visto a olho nu, mas essencialmente pelo "buraco da fechadura", através dele, expôs sua alma, o seu universo escrachado, exagerado e polêmico.Nelson enxergava pelo "buraco da fechadura" o que a classe média, a esquerda e a direita das décadas de 40 a 70, tentavam a todo custo esconder. A decadência da inteligência e a ascensão dos intelectuais subdesenvolvidos, "...cuja maior característica era o pânico de não parecer imbecil", enxergava os desejos contidos, os medos e esperanças dessas gerações.Suas peças, artigos e contos de jornais chocavam porque revelavam a "verdadeira face" das pessoas. Sua obra é o desmascaramento de um mundo falso - "O homem é o único ser capaz de se falsear" - que se esconde atrás de preconceitos e pudores ridículos, causadores de tantas desgraças, de uma desgraça ainda maior: a perda da auto-estima e da dignidade. Um povo que por saber-se cínico "...cuspia na própria imagem" e hoje cospe na alma. Segundo Nelson eram narcisos "...às avessas", embora ele soubesse "...que certos pudores e certos brios, exigiam um salário e as três refeições".E Nelson podia falar disso com propriedade, pois passou por todas as humilhações, sentiu todas as dores e todas as indignações que um homem pode passar. Ele era o povo brasileiro!Pela ótica de ficcionista de Nelson o povo brasileiro "...é fascinado por qualquer ajuntamento, adora um atropelamento, uma batida, uma traição, um escândalo e um intelectual estrangeiro". Um povo "...racista por natureza", "...o brasileiro é um feriado, temos a alma do feriado", "...o brasileiro é um ser crispado de solidão e humildade", dizia Nelson.Mas o povo não se via assim. Estávamos nos modernizando, o País inteiro se desenvolvendo. Acontecia nas artes, no pensamento, na política uma "verdadeira revolução", era a época dos "politicamente corretos". Para Nelson era o inicio do "anti-Brasil", da "anti-inteligência".Nelson previu a massificação do humano, a padronização do pensamento, das opiniões. Quando chegamos a esse ponto qualquer pessoa pode ser qualquer coisa, "...qualquer bate-papo é um seminário", não há mais nada em profundidade, o mundo é o mundo visível, o mundo da mercadoria, ninguém mais tem opinião própria.Nelson era o moralista mais imoral que existiu e seus personagens e enredos são reflexos disso: a mulher que trai o marido com o melhor amigo; a solteirona enrustida, cheia de pensamentos pecaminosos; a viúva linda, desejada, mas extremamente honesta; o velho paquerador; o ébrio; o ciumento sem razão; o paspalho que é traído; a mocinha que se apaixona por um gorila; o pai que compra um marido para filha grávida; o oportunista; os casais que fazem pactos de morte e todos os tipos de incesto, crimes e loucuras. A dissecação doentia de todos os desejos, de todas as infâmias, de todas as tolices.A perspectiva ficcional de Nelson Rodrigues (o buraco da fechadura) permitia não somente uma intromissão na intimidade e no mistério, mas acima de tudo, uma ficção que radiografou cinicamente a pequena grande alma do povo, que desdentadamente "baba na gravata". Com isso ele reformulou a linguagem pueril, romântica e falsamente filosófica dos nossos escritores: com Nelson pela primeira vez o povo brasileiro, o idiota, imoral e moralista povo brasileiro entrou na nossa literatura. Não um povo idealizado: um povo bestializado. E como ele dizia, "...um povo besta de dar dó", que ele tanto amou e soube com ninguém transformar em arte, sentimento e paixão, transformada em linguagem, em diálogo de um novo e revolucionário teatro.Nelson foi ao mesmo tempo o crítico e a vítima de uma sociedade hipócrita, que um buraco de fechadura jamais poderá dissecar completamente. No entanto a sua pequenez só pode ser vista pelo "Buraco da Fechadura."

segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

de volta à morada verde...


foram quase 3 meses longe de casa, das minhas coisas, meus livros, minha cama, meu traveseiro, minha cafeteira e meu amor! Toda vez que volto para casa tenho a sensação de ouvir, assim como em novela, aquela música do Roberto: "eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar", em que pese a cacofonia e cafonisse da música, é essa que eu escuto!!!


Hoje, é o meu primeiro dia totalmente em casa!! Comecei chegando em casa numa quinta feira, parei sexta em Brasília para uma reunião (Não é verdade que ninguem trabalha em Brasília na Sexta!), cheguei em Campinas, mas quase não esquentei a cama, fui levar o amado para o Aeroporto (isso será outro tópico), parei em Sampa para uma festa e reencontro com amigas e só no domingo a tarde cheguei em casa!


Eis-me aqui! Pronta para mais uma temporada... Estou feliz, tranquila, acordei tarde, tomei café e vim para o computador colocar em dia as minhas afetividades, mesmo que seja no mundo virtual... visitei blogs de amigos e de minha amiga Rubiane, que me inspirou a voltar aqui e escrever essas bobagens!


É isso!




terça-feira, 9 de Setembro de 2008

olhar por dentro


Hoje me peguei meio
sorumbática, cansada mesmo!
E sem forças de brechar o mundo, olhei pra mim... não como quem olha num espelho, mas como um raio x... meio embaçada por dentro, esbranquiçada, com uns bicos de papagaio que faz doer meu pescoço quando realizo uns exercício de alongamento!

Achei mesmo que ao me ver assim teria coragem para mudar algumas coisitas na minha vida, mas a preguiça foi maior e rapidamente envelopei a radiografia!

Vou esperar algum médico bondoso abrí-la e que o olhar clínico dele seja mais generoso do que o meu sobre mim mesma!

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

olhar pelo buraco da fechadura


Foi inspirada por Nelson Rodrigues que passei a olhar o mundo pelo buraco da fechadura... essa idéia de olhar além, olhar para o que é íntimo, privado, guardado atrás de uma porta me move e me faz pensar!aqui quero apenas trazer a tona essas visões que tenho quando colo meu olho num buraco de fechadura e desvendo universos e pessoas!